O interesse por polímeros biorreabsorvíveis na área médica e odontológica, é notório.
Características como degradação gradual em sintonia com as perdas de propriedades mecânicas dos dispositivos bioreabsorvíveis se tornam cada vez mais almejadas em função, principalmente, de se tornar desnecessária uma segunda intervenção cirúrgica para retirada do dispositivo, após a recuperação da parte lesionada.
A DBM entra no segmento da síntese dessa classe tão especial, que são os polímeros bioreabsorvíveis, a partir da carta patente concedida pelo INPI em 2020 do polímero poli(L-co-DL-ácido láctico)-co-TMC de sigla , PLDLA-TMC CARTA PATENTE Nº PI 1102165-9, o que torna um facilitador o desenvolvimento desse material, e abre o leque das possibilidades de sua aplicação na eletrofiação, constituindo inovação na área.
O mercado de biomateriais cresce de maneira vertiginosa no Brasil, e especialmente a classe que envolve os polímeros bioreabsorvíveis tem chamado a atenção das empresas da área médico-hospitalar/biomateriais. Essa atenção é resultado das características inerentes a essa classe de matérias, tais como:
• excelente biocompatibilidade;
• potencial de degradação por hidrólise de suas ligações ésteres;
• absorção de produtos do seu processo de degradação via rotas metabólicas;
• enorme capacidade de ajuste do tempo de degradação dos dispositivos a base daqueles polímeros com o tempo requerido para a regeneração do tecido lesionado
É importante mencionar que atualmente o número de empresas que trabalham com biomateriais tem crescido muito, assim como o seu interesse por polímeros, a base de ácido láctico. Apesar disso, os polímeros bioreabsorviveis só podem ser obtidos via importação, o que encarece ainda mais sua obtenção na forma de dispositivos implantáveis. Dessa forma, a produção de polímeros dessa classe tão especial é extremamente importante para o desenvolvimento e aplicação de novas aplicações que aliadas a técnica da eletrofiação, que vem a ser a expertise da DBM, pode resultar em ganhos na inovação.
Como as interações entre o implante biorreabsorvível e o tecido devem ser as melhores possíveis, torna-se extremamente importante a obtenção de biomateriais com propriedades que proporcionem adequada biocompatibilidade, além de atenderem as necessidades específicas de cada aplicação. Entretanto, a dificuldade de se encontrar polímeros puros que atendam todas as necessidades requeridas para uma determinada aplicação leva a busca por alternativas, como por exemplo, a síntese de copolímeros , blendas ou, como ainda de terpolímeros tal como o PLDLA-TMC ( PLDLA-TMC (ESPOSITO, 2010)
O terpolimero PLDLA-TMC apresenta maior flexibilidade frente a outros da sua classe (biorreabsorvíveis), tornando o material extremamente atrativo para aplicações que envolvem, por exemplo, aplicação em tecido cartilaginoso, o qual apresenta baixa capacidade regenerativa. Quem confere essa maior elasticidade ao material é a presença do trimetileno carbonato, de sigla TMC, ao longo da cadeia polimérica diferenciando assim esse material dos demais da classe. ( MOTTA et al., 2011).
Além disso, diversos trabalhos com PLDLA-TMC foram alvo de estudo, nos últimos anos, por parte do grupo de pesquisas da PUC Sorocaba e Faculdade de Engenharia Mecânica Unicamp, sendo inclusive produzidas 3 dissertações de mestrado envolvendo o material e 1 tese de doutorado, a qual teve o objetivo de desenvolver e caracterizar suportes tridimensionais porosos de PLDLA-co-TMC,obtidos por manufatura aditiva, pela técnica de deposição de fibras 3D, para aplicação como arcabouço na engenharia tecidual, sendo também avaliado a histocompatibilidade da associação de células mesenquimais aos arcabouços de PLDLA-co-TMC, no processo de regeneração do menisco, in vivo, sem o uso de fatores de crescimento (Messias, 2011; Fedrizzi, 2012; Duek, Esposito, 2014)
A procura por produtos biorreabsorvíveis é crescente, devido às características ímpares que este tipo de material proporciona. Do ponto de vista global, o mercado de polímeros biorreabsorvíveis apresenta pouca concorrência, pois a produção dessa classe de polímeros está concentrada em poucos grupos internacionais, os quais interferem no seu preço de mercado. No Brasil, a produção destes polímeros está concentrada em laboratórios de pesquisa, sem produção industrial. Diversas são as oportunidades apresentadas para esse segmento de síntese, particularmente do PLDLA-TMC, tais como, seu potencial em aplicações que envolvam tecido conjuntivo, no qual há um mercado ávido por novos materiais;
A DBM pretende associar as excelentes características do PLDLA-TMC à técnica de eletrofiação, gerando assim uma membrana que apresentem fios com dimensão nano ao mesmo tempo que apresente flexibilidade, biocompatibilidade e seja um excelente arcabouço para crescimento celular.